Tão importante quanto o que se comunicar é por onde comunicar. O canal utilizado pode fazer toda diferença em uma campanha de marketing. Por exemplo, se você deseja pedir alguém em casamento não é muito apropriado enviar um WhatsApp, pois um pedido pessoalmente, cara a cara, seria mais impactante e propício. Com as empresas acontece a mesma coisa, pois elas precisam saber as frentes comunicacionais que podem utilizar para que determinada mensagem chegue até seu cliente. Ou seja, é preciso selecionar os meios de comunicação e promover interação entre este mix.
Ao final desta aula, você será capaz de:
Na aula anterior nós discutimos sobre a definição do público-alvo. Categorizar seu público e identificar a qual grupo ele pertence deve ser uma etapa a ser cumprida antes mesmo do lançamento de um produto. Uma vez que exista este alinhamento da empresa com a definição do público, outros passos devem ser dados em prol da realização de um planejamento de marketing. “Uma grande vantagem de uma boa comunicação está na seleção da mídia apropriada. É importante que os projetos de segmentação incluam um perfil do uso da mídia em cada segmento”, destacam McDonald e Wilson (2013, p. 193).
Neste planejamento serão definidos, entre outras vertentes, os canais de comunicação que serão utilizados. Mais que isso, serão estipuladas as estratégias do mix de comunicação que, por sua vez, afunilaram em tipos de impactos diferentes, em experiências de diálogo diferentes com seus clientes.
Nesta aula os holofotes serão direcionados para o mix de comunicação e suas possibilidades em um plano de marketing. A palavra “mix” já nos sugere uma mistura, a associação de perspectivas diferentes. O mix de comunicação vai então se preocupar com os diferentes tipos de comunicação e se encarregará de articulá-los da maneira mais vantajosa para a organização. Uma vez que diferentes frentes comunicacionais são acionadas de maneira sinérgica e coerente, temos o desenho de uma comunicação integrada de marketing acontecendo. E a responsabilidade para isto acontecer incide nas pessoas do departamento de marketing da organização, conforme destacado no excerto a seguir.
“Entendemos que a tão desejada integração das múltiplas ferramentas de comunicação, para ser colocada em prática com eficácia, especialmente em tempos de explosiva fragmentação das mídias e multiplicação dos pontos de contato entre marcas e consumidores, depende fundamentalmente de pessoas”.
Fonte: Fisher (apud VASCONCELOS, 2009, p. 68).
Este misturado de comunicação pode ser visualizado em diferentes perspectivas. Alguns autores dividem o mix comunicacional em 6 partes, outros em 5. Neste caso, consideraremos as principais ferramentas do mix de comunicação divididas em 5 partes, como indica Vasconcelos (2009), sendo elas: Propaganda, Promoção de vendas/merchandising, Relações Públicas e Publicidade, Marketing Direto e Força de Vendas. Estas esferas estão relacionadas na Figura 1.

Na sequência vamos elencar os principais pontos sobre cada uma destas ferramentas, seguindo o raciocínio de Vasconcelos (2009).
A Propaganda pode apresentar uma série de objetivos para uma campanha de marketing, desde focar na implementação de uma ideia até criar prestígio para o anunciante. Para ser uma propaganda a mensagem precisa ser paga, ou seja, é a compra de espaços publicitários para veiculação de uma mensagem, como um comercial na TV, uma publicação patrocinada no Instagram ou qualquer outro canal pago. Ela se caracteriza, ainda, por ter a capacidade de estimular desejos e promover atitudes no público impactado, sendo que, para isso, recomenda-se que a mensagem elaborada seja clara e objetiva, portando relevância para os receptores.
Em complemento, Longo (2014, p. 106) afirma que a propaganda “nasceu para facilitar e encorajar as decisões de consumo, mas acabou evoluindo e alterando sua missão para gerar influência perceptual e formação de imagem”.
Um erro comum de encontrarmos no mercado é as empresas acreditarem que a propaganda vai aumentar suas vendas. Na verdade, a propaganda não vende, ela apenas comunica. Ela pode aumentar o movimento em sua loja e isso provocar um acúmulo de vendas, mas ela por si só não vende.

Para as vendas temos outras ferramentas, como a Promoção de Vendas, que foca em ações de curto prazo para incrementar o volume de vendas, antecipando o consumo futuro dos clientes. Seu uso é recomendado quando deseja-se criar algum atrativo, estimular as vendas rapidamente, fazer com que os consumidores experimentem seu produto, lançar um produto no mercado, entre outros. A promoção de vendas implica um benefício monetário ao usuário, como um desconto, “leve 3 pague 2”, cupons e afins.
Podemos notar que os pontos focais da promoção de vendas são ações imediatas e, por isso, devem ser usadas com moderação. Neste sentido, podemos destacar a frase “se você tratar todo mundo como especial, então ninguém é especial”? Com a promoção de vendas é a mesma coisa. Se mantermos a promoção todo dia, então não é promoção, mas sim um preço fixo. Infelizmente o varejo brasileiro banaliza ações de promoções de vendas e, por isso, a palavra muitas vezes perde seu peso e vira piada, como “Black Friday, tudo pela metade do dobro”.
Promoções de vendas são estratégias interessantíssimas para serem utilizadas, mas não para serem fixadas. Por isso, use-as com moderação!
Junto com a Promoção de vendas, temos o Merchandising, que colabora para e efetividade de ações de promoções de vendas. O merchandising é focado no ponto de venda, então ações conjuntas são muito bem-vindas. Por exemplo, deseja-se estimular a experimentação do produto, então convém-se montar quiosques com distribuição gratuita do produto nos pontos de vendas, que é uma prática do Merchandising.
O próximo item do mix de comunicação são as Relações Públicas, que compreendem palestras, ações sociais, relatórios para acionistas, entrevistas, visitas, patrocínios, entre outros. Neste sentido, podemos perceber que são ações que se preocupam com o zelo da imagem da empresa.
Patrocinar um atleta é associar sua marca às características daquele atleta. Fazer uma doação é mostrar que a empresa se preocupa com os outros. Adotar uma causa é reforçar que a organização está preocupada com o mundo a sua volta. Logo, ações de Relações Públicas procuram cativar e conquistar o público com a credibilidade.
Relações políticas também fazem parte desta área, que pode atuar com lobby para articulações entre partes interessadas, buscando benefícios mútuos.
Pequenas empresas geralmente não possuem um departamento de Relações Públicas. Mas isso não impede que o proprietário procure realizar suas próprias articulações ou mesmo contratar uma assessoria de imprensa por demanda, encaixando perfeitamente no orçamento de uma pequena empresa.
Continuando, temos também o Marketing Direto, que “trabalha com o foco na manutenção de clientes e conquista direcionada”, explica Vasconcelos (2009, p. 93). O autor mostra como uma ferramenta importante para a fidelização e longevidade da carteira de clientes. É com o marketing direto que os laços entre empresa e consumidor são estreitados, com o qual se deseja saber suas informações mais pessoais, ou seja, ter um perfil psicográfico para estabelecer um diálogo robusto e significativo.
É importante não confundirmos marketing direto com propaganda. Podemos utilizar a propaganda como forma de marketing direto, mas eles não são sinônimos. Para esclarecer estas diferenças, vejamos o Quadro 1, notando as vantagens e desvantagens de cada um desde compostos de comunicação quando comparados.
Quadro 1 - Diferenças Fundamentais entre Marketing Direto e Propaganda
Fonte: Vasconcelos (2009, p. 97-98).
E para fechar o mix de marketing nós temos a Força de Vendas, que é a área comercial da empresa. A Força de Vendas contempla todos os vendedores e representantes que possuem a capacidade de esclarecer aos consumidores suas dúvidas. A Força de Vendas é uma área de entrega, de linha de frente, que sente de perto os anseios dos consumidores, que tem a chance de coletar feedbacks riquíssimos para a empresa, que podem alavancar como derrubar qualquer planejamento, pois é o elo entre uma marca e seu consumidor.

Alguns dos objetivos da força de vendas são estimular a experimentação do comprador através do testemunho e reforço positivo do vendedor, destacar vantagens do produto, esclarecer formas de uso de um produto, explicar os diferenciais, entre outros. Se o vendedor não está convencido do que ele está vendendo, então ficará mais difícil convencer o cliente. Por isso, investir em ações com a Força de Vendas é fundamental, pois cativando os vendedores fica mais fácil cativar também os clientes.
“Uma das mais dispendiosas ferramentas de comunicação de marketing, especialmente para vendas de campo. A força de vendas comunica o produto, suas vantagens, eficácia, responde perguntas e fecha vendas”.
Fonte: Kotler (apud VASCONCELOS, 2009, p. 99).
Além deste mix principal, também temos outras ferramentas comunicacionais complementares, que são a Product Placement, Ações Cooperadas com o Trade e Folhetos/Catálogos. Vamos aprender um pouco mais sobre elas?
O Product Placement é o que muitas pessoas chamam (erroneamente) de merchandising na televisão. Quando um ator da novela está usando a camiseta de uma marca, quando uma apresentadora está com um anel de outra marca ou quando há uma prova qualquer em um programa de auditório patrocinada por uma montadora de carros, tudo isso é o product placement. Em outras palavras, “trata-se da inserção de um produto em programas de televisão, filmes, internet, games, peças de teatro etc.”, explica Vasconcelos (2009, p. 101).
As Ações Cooperadas com o Trade, ou simplesmente Trademarketing ou mesmo Marketing para o Trade, são campanhas que as empresas realizam com os vendedores ou que contam com a ajuda destes. Por exemplo, uma marca de roupa dá 1 selo para cada peça que o vendedor de uma loja vender; quando juntar 50 selos, ele poderá trocar por uma peça da marca. Isto vai estimular o vendedor a vender esta marca, pois ele terá um benefício próprio.
E os Folhetos/Catálogos consistem na “boa e velha” panfletagem, como as ações de blitz que muitas rádios geralmente realizam, entregando folhetos e promovendo determinada marca. É um tipo de mídia que pode ser muito eficiente em determinados segmentos, mas não tão interessante em outros, principalmente em segmentos de alto nível.
E eis que chegamos até as ferramentas consideradas como inovadoras em um mix de comunicação. São elas: Buzzmarketing, Marketing Viral e Propaganda no Lazer.
Começando pelo Buzzmarketing, que pode ser entendido como fazer “barulho” na internet e, com isso, despertar a atenção do público desejado. Ações de buzz devem ser direcionadas a um público segmentado, pois preza pelo engajamento. Se não há engajamento do público, não houve o buzz, não houve barulho suficiente para ser notado.
Dependendo da ação de buzzmarketing, pode vir a se tornar um marketing viral. E, se crescer demais e impactar pessoas fora do eixo pretendido, pode crescer exponencialmente, o que não significa necessariamente um coisa boa.
E falando em Marketing Viral, é uma evolução da famosa propaganda “boca a boca”, só que agora na internet e com possibilidade de alcance global.
Quando gostamos de um produto, indicamos para as pessoas, comentamos com nossos amigos. Diante disso, podemos imaginar, então, este mesmo comportamento mas impactando milhares de pessoas. Ao invés de comentar pessoalmente com alguém, compartilhamos a informação em um grupo de WhatsApp, ou enviamos um vídeo. Alguém desse grupo repassa para outro grupo, que repassa para outro e assim por diante. Isto é Marketing Viral, que se propaga de maneira similar a um vírus, contagiando progressivamente (ou até mesmo exponencialmente) uma multidão e criando uma epidemia (TORRES, 2018).

Um dos bons caminhos para se atingir o efeito viral é por meio do humor, pois é mais fácil as pessoas compartilharem, espontaneamente, conteúdos engraçados do que outras temáticas. Contudo, é muito difícil de trabalhá-lo com o marketing viral, pois deve ser espontâneo e natural, o que demanda grande conhecimento do público para elaboração de uma peça vibrante. Não obstante, quando uma ação realmente se torna viral, ela sai completamente de seu domínio e controle, atingindo pessoas de todos os tipos, gostos, estilos e segmentos. Por um lado, temos uma grande quantidade de impactados, por outro, podemos perder o direcionamento da campanha e ter dificuldades de contornar eventuais situações de crise.
E fechando o leque de intervenções inovadoras temos a Propaganda do Lazer, que é a tentativa de impactar indivíduos em momentos de lazer, quando não se espera receber um anúncio. E, por isso, destacamos um grande ponto de atenção! Afinal, ninguém, quer perturbar o cliente. Por isso, é importante planejar muito bem uma intervenção de Propaganda de Lazer, antes de efetivamente colocá-la em prática.
Se você abordar um cliente em um momento de lazer de forma errada, vai gerar uma experiência negativa e o efeito a ação vai ser totalmente o contrário do esperado.
Um exemplo de Buzzmarketing foi a ação “Operação Sorriso”, da Pepsi, que aconteceu em mais de 60 países. Nela, a Pepsi prometeu bancar uma cirurgia de fissura labial a cada 250 tweets com a hashtag “#pepsi_os”. Esta cirurgia é feita em crianças que nasceram com fenda labiopalatina, que é uma abertura no lábio ou no céu da boca.
A ação mobilizou principalmente as pessoas com parentes próximos que passavam por esta situação, causando um “barulho” significativo na internet e agregando valor à marca Pepsi, pois trata-se de uma ação também de cunho social.
A Pés Livres é uma marca de chinelos que está sendo lançada neste mês. Para reforçar sua divulgação, a Pés Livres investiu em artistas que utilizam os chinelos nas novelas que são veiculadas em todo território nacional. Esta ferramenta do mix de comunicação utilizada pela Pés Livres é chamada de:
Buzzmarketing.
A resposta está incorreta. Buzzmarketing não representa o exemplo do enunciado, pois trata-se de promover engajamento com o público a partir de determinada ação de marketing, e não inserir o produto em artistas.
Relações Públicas.
Relações Públicas buscam mídia gratuita através de temas relevantes que possam render publicações, e não a inserção da marca em novelas.
Product Placement.
O Product Placement é o que muitas pessoas chamam (erroneamente) de merchandising na televisão. Quando um ator da novela está usando a camiseta de uma marca, quando uma apresentadora está com um anel de outra marca ou quando há uma prova qualquer em um programa de auditório patrocinada por uma montadora de carros, tudo isso é o product placement. Em outras palavras, “trata-se da inserção de um produto em programas de televisão, filmes, internet, games, peças de teatro etc.”, explica Vasconcelos (2009, p. 101).
Propaganda.
A propaganda tem o foco do anúncio em espaços publicitários, e não inseridos em editoriais, como novelas, teatros, filmes e afins.
Marketing Viral.
Marketing viral é quando uma mensagem é propagada deliberadamente por várias pessoas, alastrando-se como um vírus. Ações virais contam com a internet para rápida propagação.
A empresa DeVirta é desenvolvedora de jogos para videogames e possui 4 jogos relevantes já lançados. Mas as vendas não estão boas. Procurando aumentar as vendas, a DeVirta está dando cupons aos revendedores de acordo com o volume de compras: a cada 5 jogos que eles comprarem para revender, ganham um cupom para concorrer a uma viagem para 4 pessoas, com tudo pago, para a Dinamarca. Esta ação da DeVirta se encaixa em qual ferramenta do mix de comunicação?
Ações Cooperadas para o Trade.
As Ações Cooperadas com o Trade, ou simplesmente Trademarketing ou mesmo Marketing para o Trade, são campanhas que as empresas realizam com os vendedores ou que contam com a ajuda destes. Por exemplo, uma marca de roupa dá 1 selo para cada peça que o vendedor de uma loja vender; quando juntar 50 selos, ele poderá trocar por uma peça da marca. Isto vai estimular o vendedor a vender esta marca, pois ele terá um benefício próprio.
Propaganda do Lazer.
Propaganda do Lazer é a tentativa de impactar indivíduos em momentos de lazer, quando ele não espera receber um anúncio.
Promoção de Vendas.
Promoção de vendas é quando há benefício monetário diretamente para o comprador final, e não a articulação com revendedores.
Força de Vendas.
Força de vendas se refere ao time de vendedores da empresa, e não às ações que são feitas com revendedores e lojistas.
Merchandising.
Merchandising colabora para a efetividade de ações de promoções de vendas. O merchandising é focado no ponto de venda, então, ações conjuntas são muito bem-vindas.
A grande vantagem de se planejar o mix de comunicação é a otimização dos resultados. Quanto mais assertiva for, mais impactos teremos. O mix de comunicação assume um papel importante dentro de qualquer planejamento de marketing. Pensar qual é a melhor forma de comunicar, a frequência, colocar-se no lugar de seu público e conseguir estipular o melhor canal a ser usado. Tudo isso é contemplado em estratégias do mix de comunicação.
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