Pense em você enquanto cliente. Quais suas exigências em relação às empresas das quais você adquire produtos ou serviços? Nos dias atuais, a concorrência está cada vez mais acirrada. Para conquistar e reter seus clientes, as empresas precisam satisfazer a suas necessidades e entregar além do que elas buscam. Hoje em dia, a qualidade não é mais um diferencial, pois, com clientes cada vez mais exigentes, esse fator torna-se imprescindível. Cada empresa deverá entregar algo de valor para seu cliente, que faça com que o consumidor adquira o seu produto ou serviço ao invés do da concorrência.
Mas, afinal, qual o diferencial da sua empresa perante a concorrência? Sua empresa foca os esforços no cliente e procura criar valor a ele? Sua empresa é capaz de satisfazer e reter um cliente?
Ao final desta aula, você será capaz de:
O cliente da atualidade possui uma gama de produtos, marcas, preços, fornecedores, canais de compra pelos quais pode optar. Sendo assim, o que faz um cliente escolher uma empresa em detrimento de outra?
Podemos constatar, na nossa realidade diária, algumas transformações no ambiente empresarial. Segundo Draper (2012), há diversas buscas no Google a cada dia, milhões de usuários de Facebook que postam várias atualizações por segundo, milhares de usuários no Twitter que escrevem suas opiniões sobre os mais diversificados assuntos, chamadas gratuitas via aplicativos como Skype. Além disso, aplicativos como o WhatsApp revolucionaram o mundo da comunicação.
Diante desse contexto, é necessário que as empresas olhem para o ambiente ao seu redor, agindo de maneira diferente do que fez Henry Ford, por exemplo, no momento em que diz a famosa frase “o cliente pode ter o carro da cor que quiser, contanto que seja preto.”
Você acredita que, nos dias atuais, uma postura como essa de Henry ford se sustenta no mercado competitivo?
Para Magalhães e Sampaio (2009), o conceito de marketing está relacionado a conhecer, decidir e agir. Ou seja, para os autores, conhecer e decidir significa compreender o que as empresas podem vender, saber o que os consumidores precisam ou desejam comprar e, na perspectiva deles, compreender como as pessoas ou organizações decidem o que comprar ou usar, para só assim decidir como deve ocorrer a interação entre os atos do mercado. De acordo com os autores, é preciso conhecer o mundo, decidir sobre cada mercado e agir entre os consumidores locais.
Podemos observar ao nosso redor que diversas mudanças vêm ocorrendo em nosso ambiente. Por meio do quadro a seguir, Magalhães e Sampaio (2009) demonstram as transformações nos ambientes que estão impactando significativamente as organizações e caracterizam tendências do marketing contemporâneo.
Quadro 1 - Mudanças no ambiente
Fonte: Magalhães e Sampaio (2009, p. 15).
Magalhães e Sampaio (2009) destacam que as mudanças ocorrem não somente no ambiente, mas também estão relacionadas aos consumidores, ao foco dado pelas empresas na abordagem de marketing propriamente dita e no modo de competição, dentre outras possibilidades.
As empresas ‘pontocom’, por exemplo, vieram há alguns anos revolucionar o mercado mundial. Atualmente, o indivíduo pode se relacionar com outras pessoas e fazer qualquer tipo de compra de maneira on-line, sem sair de casa. Como as empresas lidam com essa situação? Será que acompanham essas novas realidades?
É possível perceber, por exemplo, alterações significativas em relação aos consumidores, no que diz respeito às suas crenças, comportamentos, hábitos e desejos. Segundo os autores, as principais características do consumidor tradicional são:
Já o consumidor do século XXI possui, de acordo com os autores, as seguintes características:
Portanto, podemos afirmar que, desde quando se começa a aplicar o conceito de marketing, diversas são as modificações que já ocorreram, seja pela natureza ou circunstâncias de seu uso pela abordagem e intensidade de sua aplicação, pela qualidade de sua aplicação, pela inteligência e complexidade de suas estratégias ou por suas táticas e importância. Sendo assim, o olhar que se precisa ter como um todo, acompanhando toda essa evolução, é fundamental.
Com um consumidor cada vez mais ativo e exigente, a atenção em suas necessidades e desejos é cada vez mais importante. Todo cliente irá criar uma expectativa em relação ao que vai comprar e faz uma análise do que gera mais valor agregado de acordo com seus critérios de avaliação.
O site E-commerce Brasil mostra que clientes estão muito mais exigentes. De acordo com um estudo feito pela Salesforce, “[...] 89% dos clientes declaram que tão importante quanto os produtos e serviços comercializados é a experiência que a marca possibilita. Eles acreditam que um fator essencial para isso é ser tratado como uma pessoa e não apenas como um número (94%).”
Fonte: E-Commerce Brasil (2018, on-line).
Mas, afinal, o que é valor? Podemos considerar que valor e preço são a mesma coisa?
De acordo com Kotler (2000), o valor entregue ao cliente é a diferença entre o valor total e o custo total para o cliente. Segundo o autor, o valor total para o cliente é o conjunto de benefícios que os clientes esperam de determinado produto ou serviço. Já o custo total para o cliente é o conjunto de custos em que os consumidores esperam incidir para avaliar, obter, utilizar e descartar um produto ou serviço.
É preciso ficar atento para o fato de que valor e preço não são sinônimos. Nem sempre o valor estará relacionado ao preço do produto.
A Figura 1 resume o conceito apresentado.

O que leva um cliente a comprar uma camisa branca numa loja de departamento sem marca alguma, ou a mesma camisa branca em uma grife renomada mesmo tendo preços bem diferentes?
Suponha que você queira comprar um determinado produto. Ao pensar na compra, você fará uma relação de custo versus benefícios. Esses custos, como já citado, vão remeter não somente a questões monetárias, mas podem estar relacionadas a questões como o tempo de entrega, status proporcionado pela marca e durabilidade, dentre outras.

Por exemplo: o produto que quero adquirir tem em uma loja ao lado da minha casa à pronta-entrega com a qualidade que espero, no entanto o preço está elevado. O mesmo produto consigo comprar pela internet, porém, levará 15 dias úteis para chegar à minha casa e a qualidade é inferior ao que tenho na pronta-entrega. Dentro dos meus critérios de compra, qual a relação do custo-benefício? Prefiro esperar 15 dias e ter um produto mais barato ou pagar um pouco mais caro e ter o produto de maior qualidade e a pronta-entrega? Ou, ainda, podemos ter a situação invertida, o produto a pronta-entrega é mais barato e tem qualidade inferior. Estou disposto a esperar 15 dias úteis e pagar um preço mais caro, mas ter a qualidade que estou esperando? Diversas podem ser as possibilidades.
Quando você realiza uma compra, o que mais tem valor para você?
Vejamos um outro exemplo: o supermercado concorrente ao que faço minhas compras disponibilizou recentemente a opção de compras on-line. O cliente entra pelo aplicativo, faz suas compras e o supermercado entrega no mesmo dia. O que agrega mais valor para mim? Continuar fazendo as compras presencialmente como estou acostumado ou passar a fazer as compras de maneira on-line? O que pode ter de valor e custo neste exemplo?
Posso ter como valor, por exemplo, escolher pessoalmente meus próprios alimentos e manter uma interação social com a ida ao mercado, dentre outras possibilidades. Como custo, posso ter o custo de tempo de ter de esperar até o final do dia para entregarem minhas compras ou o custo psíquico de enfrentar congestionamento para ir até o mercado e filas aguardando para pagar as compras.
Todas as escolhas estarão relacionadas às expectativas que o cliente tem em relação ao produto ou serviço e ao potencial que as empresas têm de entregar aquilo que se almeja.
No que se refere à satisfação, existe uma relação entre o desempenho da oferta e as expectativas do cliente. Ou seja, para Kotler (2000), a satisfação consiste na sensação de prazer ou no desapontamento resultante da comparação do desempenho (ou resultado) percebido de um produto em relação às expectativas do comprador.
Você já parou para pensar se é fiel a alguma marca em função de esta ter superado suas expectativas?

O que as empresas estão procurando fazer na atualidade é manter seus clientes constantemente encantados, objetivando a alta satisfação, pois clientes que estão meramente satisfeitos podem com facilidade mudar de fornecedor quando uma oferta melhor aparecer. Quando está altamente satisfeito ou encantado, o cliente cria um vínculo emocional com a marca, e não apenas uma preferência racional.
Para isso, a empresa precisa conhecer muito bem o seu cliente. Apesar de no senso comum muitas pessoas pensarem que marketing é a arte de vender produtos, Drucker (1973) afirma que seu objetivo não é vender. Para o autor,
Pode-se presumir que sempre haverá necessidade de algum esforço de vendas, mas o objetivo do marketing é tornar a venda supérflua. A meta é conhecer e compreender tão bem o cliente que o produto ou serviço se adapte a ele e se venda por si só. O ideal é que o marketing deixe o cliente pronto para comprar. A partir daí, basta tornar o produto ou serviço disponível (DRUCKER, 1973, p. 64-65).
Ou seja, Drucker (1973) enfatiza a importância de se conhecer bem seu cliente, seu público-alvo. Vale salientar que, nas etapas no processo de marketing, temos de:
Segundo Magalhães e Sampaio (2000), um fator que frequentemente é desprezado em planos de marketing é desconsiderar que todo ato de consumo implica algum sacrifício e frustração por parte do consumidor. Ou seja, assim como em qualquer processo de escolha, uma decisão implica sacrifício. De acordo com os autores, o consumidor precisa fazer o sacrifício de gastar dinheiro, de ter um esforço psicológico envolvido em todo processo e também certo grau de frustração por deixar de consumir a alternativa não escolhida.
De acordo com Magalhães e Sampaio (2009), “[...] ao preparar um plano de marketing, jamais se pode desconsiderar a realidade do sacrifício e da frustração, pois é preciso entender suficientemente o consumidor e definir, de modo otimizado, o composto de marketing de seu produto para obter a melhor combinação de sacrifícios da parte do comprador e assegurar-lhe frustração mínima pela opção não exercida.”
Você concorda com esta afirmação?
Fonte: Magalhães e Sampaio (2009).
Portanto, é possível percebermos que o conceito de marketing é muito mais complexo do que apenas significar venda, ou propaganda, por exemplo.
Para compreendermos todo processo de marketing, vamos destacar alguns conceitos centrais descritos abaixo.

As necessidades fisiológicas dizem respeito ao sono, à fome, à sede, ao sexo. Para o autor, uma vez atendidas essas necessidades, as necessidades a seguir são as de segurança, que vão desde a simples necessidade de sentir-se seguro dentro de uma casa à de ter segurança com um emprego estável, um plano de saúde ou um seguro de vida. Na sequência, temos as necessidades sociais ou de amor, afeto, afeição e sentimentos, tais como os de pertencer a um grupo.
Em seguida, há as necessidades de estima, em que encontramos o reconhecimento das nossas capacidades pessoais e o reconhecimento dos outros diante da nossa capacidade de adequação às funções que desempenhamos. Finalmente, após atendidas a todas essas necessidades, os indivíduos buscam a autorrealização, em que procuram tornar-se aquilo que podem ser. Eles lutam por realizar seus potenciais e atingir seus ideais (DAVIDOFF, 2001).
No que diz respeito ao marketing, segundo Kotler (2000), quando dirigidas a objetos específicos, essas necessidades se tornam desejos.
Faça uma reflexão sobre o seu dia a dia, no que diz respeito aos seus processos de compra. Desde o mais corriqueiro, rotineiro, até uma compra mais complexa que já possa ter efetuado. Você consegue perceber se, de alguma forma, o seu desejo foi despertado por alguma estratégia de quem estava vendendo?
Sendo assim, para alcançar a satisfação do cliente e gerar valor para ele, a empresa deve conhecer seu mercado-alvo, identificar suas necessidades e desejos e buscar superar suas expectativas, encantando-o, preferencialmente.
Forças são as vantagens que a empresa possui em relação aos concorrentes.
Ou seja, estão relacionadas à aspectos positivos que a empresa possui que
podem lhe diferenciar no mercado. Como por exemplo funcionários bem
treinados.

Fraquezas são características que impedem que a empresa tenha um bom
desempenho e precisam ser eliminadas ou diminuídas. Como exemplo
instalações inadequadas.

Oportunidades são aspectos externos da empresa que a mesma pode
aproveitar em vantagem própria. Como por exemplo a falência da concorrência.

Ameaças são aspectos negativos externos à empresa que podem lhe causar
algum risco. Como por exemplo a crise econômica.

Em um mundo cada vez mais competitivo, para que as empresas conquistem seus clientes, é preciso que entreguem valor a eles. No que diz respeito ao conceito de valor, analise as assertivas a seguir.
I – O valor entregue ao cliente é a diferença entre o valor total e o custo total para o cliente.
II – Valor e preço são a mesma coisa.
III – Custo psíquico não faz parte da análise para se entregar valor ao cliente.
Agora, assinale a alternativa correta:
Somente a alternativa II está correta.
A assertiva II está incorreta, pois valor e preço são coisas distintas.
Somente a alternativa III está correta.
A assertiva III está incorreta, pois o custo psíquico deve ser considerado na relação custo/benefícios.
Somente as alternativas I e II estão corretas.
A assertiva I está correta, mas a assertiva II está incorreta, pois preço e valor não são a mesma coisa.
Somente as alternativas II e III estão corretas.
A assertiva II está incorreta, pois preço e valor não são a mesma coisa, e a assertiva III está incorreta, pois custo psíquico faz parte da análise para se entregar valor ao cliente.
Somente a alternativa I está correta.
A assertiva I está correta, pois o valor entregue ao cliente é a relação entre os custos e benefícios para o cliente.
Leia o trecho a seguir:
“____________ é caracterizado pelo conjunto de consumidores potenciais que compartilham uma necessidade ou desejo específico e que estão dispostos e aptos a realizar uma troca que os satisfaça.” (KOTLER, 2000).
A alternativa que completa corretamente a lacuna é:
SWOT
SWOT não completa o conceito exposto. A análise SWOT é uma das ferramentas utilizadas para fazer análises de ambiente e é base para gestão e planejamento estratégico.
Mercado-alvo
A alternativa que completa corretamente a lacuna é mercado-alvo, o qual se refere ao segmento do mercado que uma empresa identificou como contendo um grupo de clientes com necessidades similares aos quais ela deseja atender.
Satisfação
Satisfação não completa o conceito exposto. Para Kotler (2000), a satisfação consiste na sensação de prazer ou desapontamento resultante da comparação do desempenho (ou resultado) percebido de um produto em relação às expectativas do comprador.
Custo
Custo não completa o conceito exposto. Segundo Kotler (2000), o custo total para o cliente é o conjunto de custos em que os consumidores esperam incidir para avaliar, obter, utilizar e descartar um produto ou serviço.
Valor
A resposta está incorreta. De acordo com Kotler (2000), o valor total para o cliente é o conjunto de benefícios que os clientes esperam de determinado produto ou serviço.
Chegamos ao final desta aula. Agora, você já conhece a importância de se ter um cliente altamente satisfeito. Neste conteúdo, você foi capaz de compreender conceitos centrais de marketing.
Foi possível observarmos que, com todas as transformações ocorridas nas últimas décadas, sejam tecnológicas, de demanda ou de postura do consumidor, as empresas precisam estar cada vez mais atentas sobre quais são as necessidades e desejos de seus clientes. O cliente atualmente é mais exigente e, se não consegue atender às suas expectativas em uma determinada empresa, vai em busca de outra.
Sendo assim, nesta aula, você teve a oportunidade de:
Aula Concluída!
Avançar